Ser líder num mundo VUCA

Ao longo da nossa vida todos nós temos momentos ou contextos em que somos líderes e em que somos liderados. Se de alguma forma estamos “destinados” a liderar, então temos de estar preparados e ser capazes de exercer essa liderança em contextos de acrescida complexidade. A liderança pode acontecer em qualquer nível da hierarquia de uma empresa.

A fórmula de sucesso no passado, já não é uma garantia de sucesso no futuro.

Num mundo pré-VUCA (Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity) um líder sabia o que precisava de fazer, e direcionava outros como fazê-lo. A liderança era feita com “comando e controle”, e o seu objetivo era dirigir e desenvolver colaboradores que entendessem como o negócio funcionava, para reproduzir os sucessos anteriores.
Hoje já não é assim, hoje a única constante é a mudança.
As empresas estão obrigadas a deixar as práticas tradicionais de gerir pelo comando e controle.

A liderança envolve encontrar um equilíbrio entre estilo diretivo e não diretivo de acordo com as necessidades específicas do contexto.
Os líderes de hoje não têm todas as respostas, fazem perguntas em vez de fornecer respostas, apoiam os colaboradores em vez de julgá-los, e facilitam o seu desenvolvimento em vez de lhes dizer o que devem fazer.
Os líderes de hoje começam a adotar modelos nos quais dão suporte e orientação em vez de instruções, e as pessoas aprendem a adaptar-se constantemente, mudando os ambientes, criando novas energias, inovação e compromisso.
O papel de um líder não é tomar conta do seu cargo, mas tomar conta das pessoas que lidera e estão sob a sua responsabilidade, já não é responsável direto pelos resultados, mas é responsável pelo ambiente que cria esses resultados.

As empresas estão cheias de exemplos de excelentes profissionais – “high performers” – que têm um bom desempenho e atingem bons resultados. Como resultado dessa performance são promovidos a managers onde irão liderar pessoas. É a transformação da pessoa que é responsável pelo trabalho e que passa a ser responsável pelas pessoas que fazem o trabalho. Mas, muito provavelmente, ninguém os ensinou a liderar, se não são ensinadas competências humanas como, escuta ativa, empatia, dar e receber feedback, ter uma conversa difícil e confrontar, podem ser bons managers mas não são líderes. Um bom manager pode garantir resultados de curto prazo, um bom líder garante resultados de longo prazo. Garante resultados com sustentabilidade!

A liderança é uma competência como qualquer outra, tem de ser ensinada e treinada todos os dias, e exige esforço e muita disciplina. A função de um líder é fazer crescer as pessoas que estão à sua volta. A liderança não é um exercício de autoridade, e o exercício da liderança deve ser feito pelo exemplo.
Um líder tem de se preocupar em criar um sistema, um ambiente, que ajuda os colaboradores a serem o seu melhor “self, natural best”. Para isso deve desenvolver uma cultura de liderança, baseada nos valores da organização e de colaboração. E deve fazê-lo de forma que esse desenvolvimento seja sustentado.

Uma empresa tem de ensinar os seus colaboradores a liderar!
Isso só é possível criando uma cultura colaborativa, sustentada nos valores da organização, e sem ignorar o facto de que a colaboração requer competências que, tal como a liderança, têm de ser ensinadas.
A base de uma cultura colaborativa é a confiança.

Um dos desafios dos líderes é conseguirem criar um ambiente de confiança que permita construir “trusting teams”.
Numa cultura colaborativa de sucesso, por exemplo, o medo do julgamento é substituído pela curiosidade e os colaboradores entendem que a sua perspetiva é tão valiosa quanto a dos outros. Os colaboradores não têm medo de arriscar novas soluções para problemas antigos, e não têm medo de enfrentar novos desafios impostos pelo contexto de mercado. Numa cultura colaborativa não é aceitável a resposta “porque sempre fizemos desta maneira” e é estimulada a curiosidade do “porquê?”.

Para criar esta cultura, este ambiente, esta confiança, é necessária uma prática diária em todas as áreas da organização. Todos são parte desta equação, por isso é que tão importante apostar em pessoas que reconhecem a importância deste tipo de cultura organizacional e que estejam alinhadas com os nossos valores.

Ninguém quer trabalhar num ambiente de medo e onde não existem estímulos para inovar e propor novas soluções. No mundo VUCA a maioria das empresas deve preferir ter colaboradores “truster” ao invés de “performer”. Existem métricas para avaliar a “high performer”, mas não existem métricas para avaliar a ” high truster”. Na Integer preferimos “high truster” em detrimento de “high performer”, porque os “high truster” garantem cultura colaborativa e são melhores líderes. Garantem sustentabilidade.

O contexto de pandemia em que vivemos hoje é um grande obstáculo para a criação de um ambiente de confiança. Pela incerteza e medo que nos trouxe a todos e também pelo novo modelo de trabalho remoto que fomos obrigados a implementar, e que só potencia estes problemas. A Pandemia é mais um desafio para continuar a criar um ambiente de confiança, de colaboração, e de crescimento, com todas as pessoas a trabalhar de forma remota e algumas inclusive a serem integradas na empresa neste período.

No mundo VUCA, que inevitavelmente tem incerteza nos negócios, os colaboradores procuram nos seus líderes um exemplo a seguir. Se eles perceberem que os seus líderes trabalham para fomentar a aprendizagem e cultivar a competência da liderança, eles farão o mesmo.
Uma liderança sustentável procura contribuir para uma maior literacia, porque mudanças estratégicas e a sua implementação só são sustentáveis quando suportadas por uma transformação dos líderes e da cultura da organização.

A liderança tem o poder de criar e destruir valor. É preciso transmitir o real impacto que a liderança e a gestão de pessoas têm nas organizações.

Luís Setúbal
CEO

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